Na chamada época protodinástica encontramos a região de Sumer distribuída em territórios que possuem cada qual uma cidade como capital. O palácio, residência do rei, e o templo, morada da divindade represetnada pelo soberano terrestre, são edifícios principais em torno dos quais "as casas dos cidadãos, as cabanas dos trabalhadores, os entrepostos, os armazéns, os celeiros".
Esses primeiros séculos da História de Sumer são marcados por constantes lutas entre as cidades-estado, entre as quais sobressai Lagash. Durante mais de um século Lagash exerceu certa preponderância militar e política, perdendo, entretanto, essa hegemonia diante de Lugalzagghesi, patesi da cidade de Umma, o qual se fez proclamar rei no centro religioso de Uruk e esteneu seu domínio desde o Golfo Pérsico até o Mediterrâneo. O rei nado de Lugalzagghesi durou cerca de 25 anos.
O império sumeriano foi, em breve, submetido ao poderio de Acádia, região situada ao norte de Sumer. na cidade de Quich, surgiu um conquistador lendário, Sargão, o Grande, filho adotivo de um jardineiro. Esse famoso soberano dominou a região oriental da Anatólia. Tão vasto império foi abalado na Mesopotâmia por uma revolta das cidades entre as quais aparece Babilônia. Durante dois séculos, os semitas regem os destinos da Mesopotâmia. Uma invasão de montanheses semibárbaros, procedentes dos montes Zagros destrói o império acadiano. Não conhecemos nem o tipo étnico nem a lígua dos Gutios; as inscrições da época de seu domínio (que durou mais de um século) foram redigidas em acadiano. Velhos hinos pintam um quadro sombrio dessa época: "os campos devastados, os deuses prisioneiros, o povo sobrecarregado de corvéias e de impostos, os canais dessecados, a navegação abandonada, os campos sem água nem colheita".
Mas os Gutios acabaram admirando a civilização sumeriana. Floresceu, então, tributária dos invasores, a cidade de Lagash, sob o governo esclarecido do patesi Gudea. Essa cidade atravessou uma época de incomparável prosperidade atestada por numerosos documentos arqueológicos, tornando-se a capital cultural da civilização suméria.
A guerra de libertação dos invasores irrompeu com a liderança da cidade de Uruk: o império dos Gutios esboroou-se. O prestígio de Lagash desapareceu, mas a obra civilizadora de Gudea foi continuada pela III dinastia de Ur. Começa então uma nova época da História dos Sumérios conhecida com Ur III ou ainda "neo-sumeriana".
O fundador da III dinastia foi Ur-Nammu. Seus descendentes em linha reta ocuparam o trono durante quatro gerações sucessivas. Ur-Nammu passou à História como notável conquistador e administrador. Seus domínios estendiam-se do Golfo Pérsico ao Mediterrâeno. As cidades da Mesopotâmia conservam os vestígios de seus monumentos. A civilização suméria conhece, então uma verdadeira renascença. Difune-se por uma vasta região que compreende o Elam e a Pérsia a leste; a Capadócia e a Síria a oeste; a Armênia, ao norte. A cultura sumero-acadiana torna-se na realidade a cultura comum de todo o Oriente Próximo. "Sinal dessa preponderância intelectual é o Grande Século das letras e das ciências sumerianas, o tempo em que os poetas, escritores, sábios, compõem, escrevem e difundem, muitas vezes partindo de antiquíssimas tradições orais, seus mitos, seus hinos, seus ensaios, seus tratados..."
A invasão de um povo semita, os Amorreus, no II milênio, e de elamitas, põe fim à III dinastia de Ur. Após a queda de Ur, a realeza passa por duas cidades meridionais: Isin e Larsa; essas cidades não podem subtrair-se à forte influência semita e acabam sob o domínio dos Amoreus que haviam fundado a I dinastia da Babilônia. Termina assim a História Política dos sumérios. Sua civilização continuou, entretanto, durante séculos, influindo os mais diferentes povos. |